Gente,
Ontem, milagrosamente consegui um lugarzinho pra sentar, no ônibus, desde o início do meu trajeto diário pro trabalho. Fiquei sentada numa daquelas cadeiras que ficam atrás do cobrador. Próximo a mim, duas jovens senhoras que conversavam relativamente alto e de cada 10 palavras pronunciadas, 11 eram "amém Jesus" ou "Glória a Deus" ou algo parecido. Ficou claro que eram evangélicas e do tipo fervorissímas!!!
De repente, o telefone celular de uma delas toca. Não preciso mencionar que o toque do aparelho era com uma música evangélica, né. Mas menciono mesmo assim, só pra sentirem o nível do que vem por aí, rsss.
Bom, antes de ir ao papo, preciso esclarecer que, apesar da conversa ter rolado através do telefone, ficou claro o teor do diálogo, por isso, consegui "captar", rss. Vamos lá:
- Bom dia! a paz!, disse a mulher que atendeu o telefone...
A mulher do outro lado da linha deve ter respondido a mesma coisa, rsss.
- Amém, abençoada! Porque voce não veio ontem??
(imagine sua mãe brigando com voce, foi no mesmo tom!) Do outro lado a mulher deve ter dado alguma desculpa...
- Sei, sei... mas devia ter ido, viu!. Voce sabe, quando Deus chama a pessoa tem que ir!
(pensei com meus botões: será que eu tô perto da mulher que marca a agenda de Deus!!??? pra falar com tamanho nível de cobrança, rss)
Continuando...
Do outro lado da linha a mulher desfiava um rosário de problemas (desculpem, não aguentei o trocadilho, rsss)
- Não, não se preocupe! Voce está debaixo das rezas e das asas de Deus! O senhor está contigo! São provações, minha filha! provações que a gente "temos" que passar na vida pra conseguir o perdão do Senhor. Eu lhe disse, o deserto é a escola. Lá que nós "aprende" a chorar, a sofrer e a levantar! Voce sabe, quando Deus quer, é assim!
Pensei... Quantos ditados essa mulher vai repetir? A coitada do outro lado da linha já devia estar totalmente encolhida se sentindo o pior ser humano da face da terra, se achando o verme do cocô do cachorro da empregada da minha vizinha que nem tem cachorro (ou seja...).
Com que direito alguém faz isso com outra pessoa??
- Sim, sim. Pode ser, pode ser no domingo a noite porque no sábado vou logo cedo pra igreja conversar com o Pastor Fulano de tal. Preciso conversar com ele sobre uns "poblemas" lá de casa, só devo voltar no final da tarde porque depois de conversar com ele já aproveito pra assistir o culto.
A outra tava querendo marcar pra conversar com ela, pessoalmente, pelo que entendi.
Fiquei pensando (eu e meus pensamentos...)
Como alguém se atreve a fazer o que essa mulher tava fazendo com essa criatura? Dando conselhos, broncas, etc e tal e depois diz que vai conversar com o pastor sobre "uns poblemas la de casa"!??? Com que direito???
Finalizando a ligação...
- Não, não, fique assim não, abençoada... Se pegue com o Senhor! Ele tudo pode! Amém???
Do outro lado da linha, a outra deve ter repetido, amém, também.
- Certo, pois lhe espero no domingo de manhã, viu! Não deixe de ir. Amém??? Fique tranquila que dará tudo certo! Tchau!
Quando a mulher desligou o celular foi conversar sobre os "poblema" da dita cuja com a vizinha de cadeira, que como disse, também era evangélica. Foi de término de casamento por chifre do marido até perda de emprego, ou seja, a outra tava fo**da mesmo, rsss.
Criei este espaço para dividir com voces as histórias malucas, engraçadas, sinistras que ouço nas minhas andanças pelos ônibus da vida.
24/09/2010
Papo de Ônibus - 13
Agora, a segunda história.
Nesse ultimo feriado (dia 07 Setembro) fui visitar minha mãe em Duas Estradas (se voce é do tipo curioso que ficou imaginando porque chama Duas Estradas, aqui que voce descobre rapidinho, rs). Como eu divago... Voltando a história...
Peguei o ônibus na rodoviária pra Guarabira (cidade próxima a minha), que pra variar, já saiu lotado, sentei na última fila, no fundão mesmo, na cadeira do corredor. A viagem dura mais ou menos 2 horas, dependendo do movimento da estrada, da quantidade de gente, paradas, essas coisas. Uma jovem bem simpática do meu lado, estudante, estava indo passar o fim-de-semana com os pais, sentada na cadeira que fica ao lado da janela, já se preparava pra enfrentar a estrada colocando nos ouvidos os fones ligados diretamente ao celular. Ainda estávamos na rodoviária.
Enquanto isso, ônibus ia entupindo de gente.
Bem a minha frente, em pé, com um monte de livros de medicina numa das mãos, outra jovem estudante, também bastante simpática, fazia o que?? Ligava o fone de ouvido ao celular com a outra mão. Pra facilitar a vida dela com o aparelho, (e temendo que os livros caíssem sobre minha cabeça na primeira curva) pedi os livros pra levar no colo.
Essa altura já havíamos saído da rodoviária, passando por Bayeux, eis que a outra jovem que estava sentada bem na cadeira do meio (no meu lado direito) toma que atitude???? Saca de dentro do bolso seu celular com o que??? um fone de ouvido, kkkkkkkkk.
Ficou uma cena meio surreal, pra mim. Alguns anos atrás isso seria inimaginável tanto do ponto de vista social/financeiro (nem todo mundo tinha grana pra comprar celular, que era sinal de status) quanto do ponto de vista físico (mesmo que tivesse a grana, o celular não pegava em todo lugar, não tinha sinal, rsss) e obviamente também eu fiz o que??? Peguei meu fone de ouvido, tasquei no meu celular e fui ouvindo/assistindo o show de Simone que havia gravado tempos atrás, em Recife, que adoro.
Minha curiosidade gritando querendo saber o que esse povo tava ouvindo, rs. Mas, de repente, não mais que de repente, numa das paradas durante o trajeto, entra uma mãe com 4 filhos, com idades entre 5 e 12 anos, bonitinhos e adivinhem... cada um com o SEU CELULAR, inclusive a mãe, obviamente!
O ônibus continuava lotado e eles acabam parando onde??? lá no fundo do busão, perto da gente. Aí, matei minha curiosidade sobre o que o povo ouve no celular (pelo menos o que eles ouviam). Um dos rapazes pôs música no celular dele e, no volume máximo (ele não tinha fone de ouvido, aliás, nenhum deles, buáaaaa!!!) e aí, tive que ouvir em alto e péssimo som (segurem-se, vai doer um pouquinho!!) "... O amor é feito capim mas veja que absurdo: a gente planta ele cresce, aí vem uma vaca e acaba tudo...", esse "clássico" da Banda Aviões do Forró, kkkkkkkkkkk. Não preciso dissertar sobre o nível musical do adolescente que foi de forró (desse tipo de forró) até o funk do MC não sei das quantas.
O interessante é que eles ficavam revezando o repertório entre os aparelhos celulares. Uma hora o som saía de um aparelho outra era de outro, mas sempre o mesmo "nível musical" e no mesmo volume, rss. A mãe deles até pedia pra eles abaixarem o volume de vez em quando, mas tinha hora que até ela cantava junto com eles.
Nem adiantava olhar de cara feia pra eles. Não estavam nem aí. Simplesmente ninguem mais conseguiu ouvir nada e "fomos obrigados" a aguentar esse repertório até eles descerem, em Guarabira (onde eu desci, também). Eita que foi dificil, amigos!!!!!
Nesse ultimo feriado (dia 07 Setembro) fui visitar minha mãe em Duas Estradas (se voce é do tipo curioso que ficou imaginando porque chama Duas Estradas, aqui que voce descobre rapidinho, rs). Como eu divago... Voltando a história...
Peguei o ônibus na rodoviária pra Guarabira (cidade próxima a minha), que pra variar, já saiu lotado, sentei na última fila, no fundão mesmo, na cadeira do corredor. A viagem dura mais ou menos 2 horas, dependendo do movimento da estrada, da quantidade de gente, paradas, essas coisas. Uma jovem bem simpática do meu lado, estudante, estava indo passar o fim-de-semana com os pais, sentada na cadeira que fica ao lado da janela, já se preparava pra enfrentar a estrada colocando nos ouvidos os fones ligados diretamente ao celular. Ainda estávamos na rodoviária.
Enquanto isso, ônibus ia entupindo de gente.
Bem a minha frente, em pé, com um monte de livros de medicina numa das mãos, outra jovem estudante, também bastante simpática, fazia o que?? Ligava o fone de ouvido ao celular com a outra mão. Pra facilitar a vida dela com o aparelho, (e temendo que os livros caíssem sobre minha cabeça na primeira curva) pedi os livros pra levar no colo.
Essa altura já havíamos saído da rodoviária, passando por Bayeux, eis que a outra jovem que estava sentada bem na cadeira do meio (no meu lado direito) toma que atitude???? Saca de dentro do bolso seu celular com o que??? um fone de ouvido, kkkkkkkkk.
Ficou uma cena meio surreal, pra mim. Alguns anos atrás isso seria inimaginável tanto do ponto de vista social/financeiro (nem todo mundo tinha grana pra comprar celular, que era sinal de status) quanto do ponto de vista físico (mesmo que tivesse a grana, o celular não pegava em todo lugar, não tinha sinal, rsss) e obviamente também eu fiz o que??? Peguei meu fone de ouvido, tasquei no meu celular e fui ouvindo/assistindo o show de Simone que havia gravado tempos atrás, em Recife, que adoro.
Minha curiosidade gritando querendo saber o que esse povo tava ouvindo, rs. Mas, de repente, não mais que de repente, numa das paradas durante o trajeto, entra uma mãe com 4 filhos, com idades entre 5 e 12 anos, bonitinhos e adivinhem... cada um com o SEU CELULAR, inclusive a mãe, obviamente!
O ônibus continuava lotado e eles acabam parando onde??? lá no fundo do busão, perto da gente. Aí, matei minha curiosidade sobre o que o povo ouve no celular (pelo menos o que eles ouviam). Um dos rapazes pôs música no celular dele e, no volume máximo (ele não tinha fone de ouvido, aliás, nenhum deles, buáaaaa!!!) e aí, tive que ouvir em alto e péssimo som (segurem-se, vai doer um pouquinho!!) "... O amor é feito capim mas veja que absurdo: a gente planta ele cresce, aí vem uma vaca e acaba tudo...", esse "clássico" da Banda Aviões do Forró, kkkkkkkkkkk. Não preciso dissertar sobre o nível musical do adolescente que foi de forró (desse tipo de forró) até o funk do MC não sei das quantas.
O interessante é que eles ficavam revezando o repertório entre os aparelhos celulares. Uma hora o som saía de um aparelho outra era de outro, mas sempre o mesmo "nível musical" e no mesmo volume, rss. A mãe deles até pedia pra eles abaixarem o volume de vez em quando, mas tinha hora que até ela cantava junto com eles.
Nem adiantava olhar de cara feia pra eles. Não estavam nem aí. Simplesmente ninguem mais conseguiu ouvir nada e "fomos obrigados" a aguentar esse repertório até eles descerem, em Guarabira (onde eu desci, também). Eita que foi dificil, amigos!!!!!
Papo de Ônibus - 12
Gente,
Tempão que não venho por aqui, preparando aulas, as voltas com um novo projeto pessoal, o blog que criei sobre a minha cidade (http://www.duasestradas-pb.blogspot.com/) e obviamente o meu trabalho, ou seja, muitas desculpas, né.
Mas, vamos ao motivo da minha volta. Faz dias que estou para postar uma história pro Papo de Ônibus, o que farei agora e pra compensar, postarei logo duas, estreando o Papo de Ônibus interestadual, rsss. Pois é, duas viagens que fiz, uma para Natal e outra pra minha cidade nesse último feriado.
Vamos a primeira:
Estava eu voltando de Natal, no horário das 9h30. No ônibus poucas pessoas. Umas 20, no máximo. Dessas, o destaque era um grupo de estudantes adolescentes, umas 8, 10, no máximo, que vinham participar de algum evento esportivo que estava acontecendo em João Pessoa, junto com seus treinadores. A história foi justamente com eles, eram dois.
Eles eram gays (a afirmação é pelo papo que ouvi, porque eles eram bem discretos, rss). Um tinha cara de ter uns 50 anos o outro um pouco mais jovem, uns 38, 40 anos, no máximo. Vou chama-los de zezinho (o mais velho) e toninho (o mais jovem).
Eles estavam sentados logo atrás da cadeira que eu estava. Então, sem mais delongas, ao papo:
- Menina, tu não sabe quem vi ontem lá na Ribeira!
- Quem, toninho???
- O Juvenal, lembra dele??? Menina, ele tá acabado, bicha! (imaginem aquela quebrada de munheca! Eu imaginei na hora, rss)
- Jura??? Faz tempo que não o vejo. Ele falou contigo???
- Nada, menina! Fingiu que não me viu. Porque será??? Tão lindo que ele era! Lembra da tatuagem que ele tinha nas costas??? (ele deu uma suspirada profunda e eu me segurei pra não rir, rsss)
- Só lembro! disse zezinho. E dá pra esquecer! (de novo, me segurei pra não rir). Como a pessoa muda, né. O Juvenal era um gato quando mais jovem, era disputado por "todas" (entenda-se todos). Quem pagava mais é que levava! (aí quem riu foi ele, aliás, os dois riram!). Ele deve está com uns 40 hoje, disse zezinho.
- É, respondeu toninho, mas parece mais velho do que voce, mulher! (riram de novo)
- Tá me chamando de velha, bicha!!!!???? Tu lembra daquela noite lá na casa da Mazé, ele tava lá rebolando e todo mundo babando, inclusive a gente, que quase brigou por causa dele??
- Se lembro e no final com quem ele foi embora??? Com a gabi, ficamos nós dois chupando dedo, kkkkkkkkk.
(Gente! nessa hora não aguentei, dei um risada um pouco mais alta, acho até que eles desconfiaram que estava prestando atenção no papo, rs.)
- Pois é, mas soube que ele casou, é pai e tudo, disse zezinho.
- E foi??? Só a gente não casa, né, mulher. Também como é que a gente vai casar andando com esse bocado de mulher, e riram os dois, de novo.
Depois desse papo, adormeci...
Tempão que não venho por aqui, preparando aulas, as voltas com um novo projeto pessoal, o blog que criei sobre a minha cidade (http://www.duasestradas-pb.blogspot.com/) e obviamente o meu trabalho, ou seja, muitas desculpas, né.
Mas, vamos ao motivo da minha volta. Faz dias que estou para postar uma história pro Papo de Ônibus, o que farei agora e pra compensar, postarei logo duas, estreando o Papo de Ônibus interestadual, rsss. Pois é, duas viagens que fiz, uma para Natal e outra pra minha cidade nesse último feriado.
Vamos a primeira:
Estava eu voltando de Natal, no horário das 9h30. No ônibus poucas pessoas. Umas 20, no máximo. Dessas, o destaque era um grupo de estudantes adolescentes, umas 8, 10, no máximo, que vinham participar de algum evento esportivo que estava acontecendo em João Pessoa, junto com seus treinadores. A história foi justamente com eles, eram dois.
Eles eram gays (a afirmação é pelo papo que ouvi, porque eles eram bem discretos, rss). Um tinha cara de ter uns 50 anos o outro um pouco mais jovem, uns 38, 40 anos, no máximo. Vou chama-los de zezinho (o mais velho) e toninho (o mais jovem).
Eles estavam sentados logo atrás da cadeira que eu estava. Então, sem mais delongas, ao papo:
- Menina, tu não sabe quem vi ontem lá na Ribeira!
- Quem, toninho???
- O Juvenal, lembra dele??? Menina, ele tá acabado, bicha! (imaginem aquela quebrada de munheca! Eu imaginei na hora, rss)
- Jura??? Faz tempo que não o vejo. Ele falou contigo???
- Nada, menina! Fingiu que não me viu. Porque será??? Tão lindo que ele era! Lembra da tatuagem que ele tinha nas costas??? (ele deu uma suspirada profunda e eu me segurei pra não rir, rsss)
- Só lembro! disse zezinho. E dá pra esquecer! (de novo, me segurei pra não rir). Como a pessoa muda, né. O Juvenal era um gato quando mais jovem, era disputado por "todas" (entenda-se todos). Quem pagava mais é que levava! (aí quem riu foi ele, aliás, os dois riram!). Ele deve está com uns 40 hoje, disse zezinho.
- É, respondeu toninho, mas parece mais velho do que voce, mulher! (riram de novo)
- Tá me chamando de velha, bicha!!!!???? Tu lembra daquela noite lá na casa da Mazé, ele tava lá rebolando e todo mundo babando, inclusive a gente, que quase brigou por causa dele??
- Se lembro e no final com quem ele foi embora??? Com a gabi, ficamos nós dois chupando dedo, kkkkkkkkk.
(Gente! nessa hora não aguentei, dei um risada um pouco mais alta, acho até que eles desconfiaram que estava prestando atenção no papo, rs.)
- Pois é, mas soube que ele casou, é pai e tudo, disse zezinho.
- E foi??? Só a gente não casa, né, mulher. Também como é que a gente vai casar andando com esse bocado de mulher, e riram os dois, de novo.
Depois desse papo, adormeci...
Papo de Ônibus - 11
Hoje, paguei um grande mico no ônibus, rss. Um não, vários. Foi muito engraçado.
Tava muito complicado de arranjar um lugarzinho pra sentar, ônibus lotadaço, muita, muita gente... finalmente na Epitácio consegui um lugarzinho e sentei do lado de uma moça que tinha certeza, conhecia de algum lugar... e aí é que começa o "king kong", rss.
Fla: Oi, tudo bem?
Ela: Oi, td joia e voce?
Fla: Eu to lembrando de voce de algum lugar, por acaso trabalhastes na Antares*? perguntei.
Ela parecia demais com uma recepcionista que passou pela agência na epóca que eu trabalhava por la.
Ela: O que, Antares???
Eita! não é da Antares (primeiro mico)
Continua o papo...
Fla: certo, não é da Antares, mas eu te conheço de algum lugar, tenho certeza.
Ela rindo, disse: do Colégio Santo Antonio, fizemos o segundo grau juntas, em Guarabira.
Fla: Eita, menina faz tempo isso, hein! Pelo menos uns 12, 15 anos, rss.
Ela: É verdade, faz tempo mesmo. Flávia é o teu nome, né???
Fla: Sim, eu não lembro do seu, desculpe.
Ela: Antonia**. Eu trabalhava numa livraria em Guarabira
Fla: Sim, agora to lembrando... voce trabalhava na livraria de Seu José**.
Ela: Não, não, na livraria do João**
Eita! (segundo mico)
Continua o papo...
Fla: Claro, agora to lembrando, voce trabalhava na livraria da familia de Fulano de Tal.
Outro dia tava conversando com uma amiga que também estudou com a gente, sobre essa epóca, como era legal, né. Somos amigas até hoje.
Ela: Tambem continuo amiga de Maria** até hoje, desde aquela epóca, voce lembra dela??
Fla: Lembro sim, não era uma morena, baixinha, cabelo longo???
Ela: Não, ela era mais alta que eu, bem alta, clara, de olhos verdes e o cabelo dela nao era tão longo.
kkkkkkkkkkk, terceiro mico em menos de 10 minutos, acreditem! Perdi várias oportunidades de ficar calada, rsss.
Fla: Definitivamente preciso de mais memória pro meu HD, não acertei uma, rss.
Ela riu e já foi levantando porque tava chegando a parada dela.
Nos despedimos na promessa de nos reencontrarmos no ônibus (ela disse que já havia me visto várias vezes mas nunca tinha tido a oportunidade de falar porque o ônibus tá sempre tão lotado, rsss)
*Antares é uma agência de publicidade aqui de João Pessoa.
**Nomes ficíticios
Tava muito complicado de arranjar um lugarzinho pra sentar, ônibus lotadaço, muita, muita gente... finalmente na Epitácio consegui um lugarzinho e sentei do lado de uma moça que tinha certeza, conhecia de algum lugar... e aí é que começa o "king kong", rss.
Fla: Oi, tudo bem?
Ela: Oi, td joia e voce?
Fla: Eu to lembrando de voce de algum lugar, por acaso trabalhastes na Antares*? perguntei.
Ela parecia demais com uma recepcionista que passou pela agência na epóca que eu trabalhava por la.
Ela: O que, Antares???
Eita! não é da Antares (primeiro mico)
Continua o papo...
Fla: certo, não é da Antares, mas eu te conheço de algum lugar, tenho certeza.
Ela rindo, disse: do Colégio Santo Antonio, fizemos o segundo grau juntas, em Guarabira.
Fla: Eita, menina faz tempo isso, hein! Pelo menos uns 12, 15 anos, rss.
Ela: É verdade, faz tempo mesmo. Flávia é o teu nome, né???
Fla: Sim, eu não lembro do seu, desculpe.
Ela: Antonia**. Eu trabalhava numa livraria em Guarabira
Fla: Sim, agora to lembrando... voce trabalhava na livraria de Seu José**.
Ela: Não, não, na livraria do João**
Eita! (segundo mico)
Continua o papo...
Fla: Claro, agora to lembrando, voce trabalhava na livraria da familia de Fulano de Tal.
Outro dia tava conversando com uma amiga que também estudou com a gente, sobre essa epóca, como era legal, né. Somos amigas até hoje.
Ela: Tambem continuo amiga de Maria** até hoje, desde aquela epóca, voce lembra dela??
Fla: Lembro sim, não era uma morena, baixinha, cabelo longo???
Ela: Não, ela era mais alta que eu, bem alta, clara, de olhos verdes e o cabelo dela nao era tão longo.
kkkkkkkkkkk, terceiro mico em menos de 10 minutos, acreditem! Perdi várias oportunidades de ficar calada, rsss.
Fla: Definitivamente preciso de mais memória pro meu HD, não acertei uma, rss.
Ela riu e já foi levantando porque tava chegando a parada dela.
Nos despedimos na promessa de nos reencontrarmos no ônibus (ela disse que já havia me visto várias vezes mas nunca tinha tido a oportunidade de falar porque o ônibus tá sempre tão lotado, rsss)
*Antares é uma agência de publicidade aqui de João Pessoa.
**Nomes ficíticios
Papo de Ônibus - 10
Semana passada (07/05) presenciei pela primeira no ônibus um diálogo sem palavras, esquisito isso, né. Mas, foi bastante intrigante pra mim, fiquei pensando como descreveria aqui essa história. Mas o título veio prontinho na cabeça:
PRIMEIRO DIÁLOGO SEM PALAVRAS DO PAPO DE ÔNIBUS
Havia no banco sentadas, a minha frente, duas mulheres. Uma sentada do lado da janela, era estudante, bastante jovem, talvez uns 15, 16 anos (se muito). A outra, do lado do corredor devia ter pelo menos uns 40 anos a mais que a menina, ou seja, uma senhora de pelo menos uns 50 anos. Elas pareciam nao se conhecer porque nao trocavam nenhuma palavra. Cada uma na sua e com nada em comum (só pra lembrar um pouquinho do slogan daquele cigarro, rsss).
Estava chovendo muito e todas as janelas do ônibus fechadas porque ninguem queria se molhar, óbvio, mas quando isso acontece (e quem anda de ônibus sabe) fica muito quente por causa do calor humano.
Então, a certa altura da viagem, quando a chuva já havia diminuido a senhora não pensou duas vezes, puxou a janela pra entrar um arzinho porque realmente estava muito quente.
Quase que instantaneamente a adolescente sem ter o mínimo de respeito pela senhora, empurrou a janela de volta, fechando-a.
Mas, amigos, garanto a voces, não foi um empurraozinho qualquer, a guria quase quebra a janela com a força colocada pra fechar a janela. Logo que fez isso ela olhou pra mulher com a cara mais feia do mundo, querendo dizer algo do tipo: essa janela é minha e nela quem manda sou eu!
Aí, pensei: Meu Deus! essa mulher vai quebrar o pau agora, esculhambar com essa guria, la vem baixaria!
Sabem o que aconteceu? A mulher olhou pra cara da menina, como quem diz: Sou muito mais experiente que voce, minha filha, não me troco por qualquer merda! Não vou me sujar nem estragar meu dia por sua causa!
Levantou devagar e altiva, foi sentar em outra cadeira um pouco mais a frente (nessas alturas já estávamos na Epitácio, metade do povo que vinha no ônibus já havia descido, por isso, tinha cadeira vazia,rss)
Fiquei olhando pra guria, que fingiu não ter acontecido nada.
Eu não consegui fingir. Fiquei olhando ao redor pra ver se mais alguem tinha acompanhado esse "diálogo" e pelo que percebi, só eu mesmo tinha prestado atenção nisso.
Vim o resto do caminho com dois pensamentos na cabeça.
Já não se faz mais adolescente como antigamente, nunca na minha vida teria coragem de fazer algo parecido com o que essa menina fez, tamanho o desrepeito que ela teve com aquela senhora (e tenho certeza que muitos dos que passam por aqui, também não).
E, será que aquela menina entendeu a lição de moral que recebeu naquele dia? Sim, porque foi exatamente isso que aquela senhora fez. Deu uma bela lição de como agir em determinadas situações. Que muitas vezes é melhor calar do que abrir a boca e falar besteira.
Aprendi demais com essa história!
PRIMEIRO DIÁLOGO SEM PALAVRAS DO PAPO DE ÔNIBUS
Havia no banco sentadas, a minha frente, duas mulheres. Uma sentada do lado da janela, era estudante, bastante jovem, talvez uns 15, 16 anos (se muito). A outra, do lado do corredor devia ter pelo menos uns 40 anos a mais que a menina, ou seja, uma senhora de pelo menos uns 50 anos. Elas pareciam nao se conhecer porque nao trocavam nenhuma palavra. Cada uma na sua e com nada em comum (só pra lembrar um pouquinho do slogan daquele cigarro, rsss).
Estava chovendo muito e todas as janelas do ônibus fechadas porque ninguem queria se molhar, óbvio, mas quando isso acontece (e quem anda de ônibus sabe) fica muito quente por causa do calor humano.
Então, a certa altura da viagem, quando a chuva já havia diminuido a senhora não pensou duas vezes, puxou a janela pra entrar um arzinho porque realmente estava muito quente.
Quase que instantaneamente a adolescente sem ter o mínimo de respeito pela senhora, empurrou a janela de volta, fechando-a.
Mas, amigos, garanto a voces, não foi um empurraozinho qualquer, a guria quase quebra a janela com a força colocada pra fechar a janela. Logo que fez isso ela olhou pra mulher com a cara mais feia do mundo, querendo dizer algo do tipo: essa janela é minha e nela quem manda sou eu!
Aí, pensei: Meu Deus! essa mulher vai quebrar o pau agora, esculhambar com essa guria, la vem baixaria!
Sabem o que aconteceu? A mulher olhou pra cara da menina, como quem diz: Sou muito mais experiente que voce, minha filha, não me troco por qualquer merda! Não vou me sujar nem estragar meu dia por sua causa!
Levantou devagar e altiva, foi sentar em outra cadeira um pouco mais a frente (nessas alturas já estávamos na Epitácio, metade do povo que vinha no ônibus já havia descido, por isso, tinha cadeira vazia,rss)
Fiquei olhando pra guria, que fingiu não ter acontecido nada.
Eu não consegui fingir. Fiquei olhando ao redor pra ver se mais alguem tinha acompanhado esse "diálogo" e pelo que percebi, só eu mesmo tinha prestado atenção nisso.
Vim o resto do caminho com dois pensamentos na cabeça.
Já não se faz mais adolescente como antigamente, nunca na minha vida teria coragem de fazer algo parecido com o que essa menina fez, tamanho o desrepeito que ela teve com aquela senhora (e tenho certeza que muitos dos que passam por aqui, também não).
E, será que aquela menina entendeu a lição de moral que recebeu naquele dia? Sim, porque foi exatamente isso que aquela senhora fez. Deu uma bela lição de como agir em determinadas situações. Que muitas vezes é melhor calar do que abrir a boca e falar besteira.
Aprendi demais com essa história!
Papo de Ônibus - 09
Gente,
Faz tempo que nao venho por aqui. Trabalhando, estudando pras aulas, enfim...Muita coisa. O que me trouxe aqui foi uma nova história do Papo de Ônibus, pois é, depois de tanto tempo...
Vamos lá...
Quando entrei no ônibus senti um clima meio estranho, todo mundo num bochicho só, comentando sobre uma discussão que tinha rolado umas paradas antes da minha sobre a super lotação que tem acontecido ultimamente nas linhas que passam pelo meu bairro e adjacências... que a galera não cede lugar aos mais velhos, grávidas, etc.
Já peguei o ônibus andando nessa história (literalmente, rss)
Algumas paradas após, consegui sentar e logo a minha frente duas senhoras conversando, uma em pé a outra sentada no banco do corredor.
A que estava em pé devia ter no máximo uns 30 mas com cara de 40 anos, a outra um pouco mais jovem, inclusive, de aparência. Ambas morenas (ou negras, ou afrodescendentes, podem escolher, rs)
A que estava em pé falava alto, gesticulava gastante, justamente sobre essa história que ninguem mais respeita os mais velhos e não sei que, e a partir daí contou a história...
- Minha filha, tu num sabe! Esse povo novo num respeita mais ninguem de idade, não. Outro dia fui viajar com meu pai, que já tem quase 80, pra Itapororoca e fumo nesses ônibu que pega lá na rodoviária.
Ele tava meio adoentado mas queria ir pra la de todo jeito, pra piorá quando cheguemo lá só tinha lugar em pé (lugar em pé??, rsss) mas ele queria ir de todo jeito, aí nós compremo as passage.
Imaginei eu que, como ele era véi, alguem ia ceder lugar pra ele quando a gente entrasse no ônibus, mas ninguem nem se mexeu, tu acha?
- Quando a gente entrou no ônibu, nas primeira cadera tinha uma mulher sentada no corredô com o filho sentado na janela... virou a cara, nem olhou sequer! Fiquei esperando o ônibu sair da rodoviária e soltei: Será que a sinhora num poderia botar seu fio no colo pro meu pai sentá aí? Ele tá mei adoentado...
Aí a mulher me disse, toda cheia de direito!
- Minha filha! Eu comprei cadeira. A senhora vai pra onde?
- Itapororoca, eu disse. Aí, ela disse:
- Eu desço antes, aí voces sentam.
- Tu acredita nisso??? Fiquei pra num viver de raiva! Graças a Deus arranjei outro lugar pro meu pai sentar.
E a amiga dela só balançava a cabeça feito lagartixa e eu só ouvindo (e rindo!)
- Chegou a cidade que ela ia descer e eu fiquei só esperando pra soltar a minha... Quando ela já tava lá na porta do ônibu eu gritei:
- Eiiiiii!! O ônibu todim olhou pra ela e pra mim, eu achei foi bom. Ela olhou e eu disse:
- A senhora num vai levar as cadeira nao???
- E ela? perguntou a que estava sentada
- Ela olhou pra mim e disse, O que??? Aí eu lasquei ela, disse: A senhora num disse que comprou a cadera??? Num vai levar, não???
Ela disse que todo mundo que tava no ônibus interestadual se acabou de rir e que a mulher desceu do ônibus esculhambando com ela, só nao chamou ela de santa, rsss.
Eu e o povo que estava próximo dela se acabando de rir, com a história, também, rsss
Faz tempo que nao venho por aqui. Trabalhando, estudando pras aulas, enfim...Muita coisa. O que me trouxe aqui foi uma nova história do Papo de Ônibus, pois é, depois de tanto tempo...
Vamos lá...
Quando entrei no ônibus senti um clima meio estranho, todo mundo num bochicho só, comentando sobre uma discussão que tinha rolado umas paradas antes da minha sobre a super lotação que tem acontecido ultimamente nas linhas que passam pelo meu bairro e adjacências... que a galera não cede lugar aos mais velhos, grávidas, etc.
Já peguei o ônibus andando nessa história (literalmente, rss)
Algumas paradas após, consegui sentar e logo a minha frente duas senhoras conversando, uma em pé a outra sentada no banco do corredor.
A que estava em pé devia ter no máximo uns 30 mas com cara de 40 anos, a outra um pouco mais jovem, inclusive, de aparência. Ambas morenas (ou negras, ou afrodescendentes, podem escolher, rs)
A que estava em pé falava alto, gesticulava gastante, justamente sobre essa história que ninguem mais respeita os mais velhos e não sei que, e a partir daí contou a história...
- Minha filha, tu num sabe! Esse povo novo num respeita mais ninguem de idade, não. Outro dia fui viajar com meu pai, que já tem quase 80, pra Itapororoca e fumo nesses ônibu que pega lá na rodoviária.
Ele tava meio adoentado mas queria ir pra la de todo jeito, pra piorá quando cheguemo lá só tinha lugar em pé (lugar em pé??, rsss) mas ele queria ir de todo jeito, aí nós compremo as passage.
Imaginei eu que, como ele era véi, alguem ia ceder lugar pra ele quando a gente entrasse no ônibus, mas ninguem nem se mexeu, tu acha?
- Quando a gente entrou no ônibu, nas primeira cadera tinha uma mulher sentada no corredô com o filho sentado na janela... virou a cara, nem olhou sequer! Fiquei esperando o ônibu sair da rodoviária e soltei: Será que a sinhora num poderia botar seu fio no colo pro meu pai sentá aí? Ele tá mei adoentado...
Aí a mulher me disse, toda cheia de direito!
- Minha filha! Eu comprei cadeira. A senhora vai pra onde?
- Itapororoca, eu disse. Aí, ela disse:
- Eu desço antes, aí voces sentam.
- Tu acredita nisso??? Fiquei pra num viver de raiva! Graças a Deus arranjei outro lugar pro meu pai sentar.
E a amiga dela só balançava a cabeça feito lagartixa e eu só ouvindo (e rindo!)
- Chegou a cidade que ela ia descer e eu fiquei só esperando pra soltar a minha... Quando ela já tava lá na porta do ônibu eu gritei:
- Eiiiiii!! O ônibu todim olhou pra ela e pra mim, eu achei foi bom. Ela olhou e eu disse:
- A senhora num vai levar as cadeira nao???
- E ela? perguntou a que estava sentada
- Ela olhou pra mim e disse, O que??? Aí eu lasquei ela, disse: A senhora num disse que comprou a cadera??? Num vai levar, não???
Ela disse que todo mundo que tava no ônibus interestadual se acabou de rir e que a mulher desceu do ônibus esculhambando com ela, só nao chamou ela de santa, rsss.
Eu e o povo que estava próximo dela se acabando de rir, com a história, também, rsss
Papo de Ônibus - 08
Tenho uma amiga que diz que se eu for na esquina de qualquer lugar do mundo e conversar cinco minutos com alguém descubro que essa pessoa ou é, ou conhece, ou tem família, ou tem um amigo, ou já foi, ou no mínimo já ouviu falar em Duas Estradas, minha amada e famosa cidade, rsss (ok, o famosa é por minha conta).
Pois bem, meu Papo de Ônibus hoje foi mais ou menos assim.
Estava em pé no ônibus, esperando aparecer um lugarzinho pra sentar, o que aconteceu pertinho da Praça dos Muriçocas, em Miramar. Sento ao lado de uma senhora de baixa estatura, branquinha, cabelos de igual cor e sorriso fácil, que estava com um cacho de banana madura dentro de um saco transparente (tipo aqueles de supermercado), no colo, achei engraçado, mas não comentei nada.
Ela tinha acabado de tirar um segundo saco desse dito cacho e estava dobrando de uma forma toda especial, de modo que o saco ficou bem pequeno. Infelizmente não saberia aqui descrever o jeito como ela dobrava, mas fiquei prestando atenção pra aprender e ela percebeu.
Muito gentil perguntou: Voce quer aprender a dobrar desse jeito?
Disse que sim, que tinha um montão desses sacos lá em casa, e que seria ótimo porque ganharia um espaço enorme em meu armário. Ela riu e me ensinou.
Logo depois perguntei a ela quem a havia ensinado dobrar o saco daquela forma.
Minha tia, ela disse. Quando morei no interior, faz tempo. Minha tia morava perto da gente e de vez em quando me ensinava umas coisinhas.
Aí, a pergunta mágica. Que interior??? (minha amiga, quando ler isso aqui, vai morrer de rir, kkkk)
Ela disse: Sertãozinho.
E eu: Ah!! pertinho da minha terra.
E ela: Sua terra? Você é de onde?
Duas Estradas, falei.
Nesse momento, parece que liguei o botão do túnel do tempo da mulher. Olhinho brilhou e ela desatou a falar e lembrar das coisas de quando morou lá na região. Já, que , segundo ela, morou em Duas Estradas, Sertãozinho e Pirpirituba.
Eu já morei lá quando era criança, ela disse. Acho que nem era cidade, ainda. Tinha o armazém de tecido de seu Rozil (nem sei era esse o nome, ou o dono), era na esquina, perto da Estação do Trem.
Meu pai era fiscal e minha mãe era a madrinha de um dos filhos do pessoal do armazém, não lembro do nome agora. Lembro que ele convidou a gente pra ir morar numa casa bem grande que tinha logo depois da estação na subida de uma ladeira. Era mal-assombrada, lembro até hoje da minha mãe dizendo que ouviu a porta bater e outras coisas.
Disse isso e riu e eu ri junto. Lembrei que as pessoas que moraram lá sempre fizeram esse comentário.
E ela continuou... Era uma alegria quando o trem chegava, a gente ficava só esperando dar a hora. Vê as pessoas descendo do trem. Lá em Sertãozinho também, fiquei triste quando derrubaram a estação de lá, chorei e tudo.
Ela também lembrou de pessoas, sobrenomes de famílias da época que morava lá em Sertãozinho. Já chegando sua parada, perguntei qual era o seu nome, Lourdinha, ela disse. Infelizmente esqueci de perguntar seu sobrenome. Mas ainda perguntei sua idade, e me disse, 74 anos. Desceu lá na parada do Extra. Ia visitar a irmã, que mora pertinho dali.
Fiquei admirada com a memória que ela tinha pra fatos, nomes, situações que viveu. Parece que a infância dela foi realmente marcante. Tanto quanto foi a minha, em Duas Estradas. Por isso que amo tanto minha terra e carrego comigo um pedacinho dela pra onde eu for.
Pois bem, meu Papo de Ônibus hoje foi mais ou menos assim.
Estava em pé no ônibus, esperando aparecer um lugarzinho pra sentar, o que aconteceu pertinho da Praça dos Muriçocas, em Miramar. Sento ao lado de uma senhora de baixa estatura, branquinha, cabelos de igual cor e sorriso fácil, que estava com um cacho de banana madura dentro de um saco transparente (tipo aqueles de supermercado), no colo, achei engraçado, mas não comentei nada.
Ela tinha acabado de tirar um segundo saco desse dito cacho e estava dobrando de uma forma toda especial, de modo que o saco ficou bem pequeno. Infelizmente não saberia aqui descrever o jeito como ela dobrava, mas fiquei prestando atenção pra aprender e ela percebeu.
Muito gentil perguntou: Voce quer aprender a dobrar desse jeito?
Disse que sim, que tinha um montão desses sacos lá em casa, e que seria ótimo porque ganharia um espaço enorme em meu armário. Ela riu e me ensinou.
Logo depois perguntei a ela quem a havia ensinado dobrar o saco daquela forma.
Minha tia, ela disse. Quando morei no interior, faz tempo. Minha tia morava perto da gente e de vez em quando me ensinava umas coisinhas.
Aí, a pergunta mágica. Que interior??? (minha amiga, quando ler isso aqui, vai morrer de rir, kkkk)
Ela disse: Sertãozinho.
E eu: Ah!! pertinho da minha terra.
E ela: Sua terra? Você é de onde?
Duas Estradas, falei.
Nesse momento, parece que liguei o botão do túnel do tempo da mulher. Olhinho brilhou e ela desatou a falar e lembrar das coisas de quando morou lá na região. Já, que , segundo ela, morou em Duas Estradas, Sertãozinho e Pirpirituba.
Eu já morei lá quando era criança, ela disse. Acho que nem era cidade, ainda. Tinha o armazém de tecido de seu Rozil (nem sei era esse o nome, ou o dono), era na esquina, perto da Estação do Trem.
Meu pai era fiscal e minha mãe era a madrinha de um dos filhos do pessoal do armazém, não lembro do nome agora. Lembro que ele convidou a gente pra ir morar numa casa bem grande que tinha logo depois da estação na subida de uma ladeira. Era mal-assombrada, lembro até hoje da minha mãe dizendo que ouviu a porta bater e outras coisas.
Disse isso e riu e eu ri junto. Lembrei que as pessoas que moraram lá sempre fizeram esse comentário.
E ela continuou... Era uma alegria quando o trem chegava, a gente ficava só esperando dar a hora. Vê as pessoas descendo do trem. Lá em Sertãozinho também, fiquei triste quando derrubaram a estação de lá, chorei e tudo.
Ela também lembrou de pessoas, sobrenomes de famílias da época que morava lá em Sertãozinho. Já chegando sua parada, perguntei qual era o seu nome, Lourdinha, ela disse. Infelizmente esqueci de perguntar seu sobrenome. Mas ainda perguntei sua idade, e me disse, 74 anos. Desceu lá na parada do Extra. Ia visitar a irmã, que mora pertinho dali.
Fiquei admirada com a memória que ela tinha pra fatos, nomes, situações que viveu. Parece que a infância dela foi realmente marcante. Tanto quanto foi a minha, em Duas Estradas. Por isso que amo tanto minha terra e carrego comigo um pedacinho dela pra onde eu for.
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